terça-feira, 31 de março de 2009

Ainda temos muito o que aprender...

gatinhos

Cada dia que passa aprendo mais com os animais. Semana passada presenciei algo que realmente me comoveu.

Há mais ou menos 2 meses estou com uma gata que iria ser levada ao CCZ (Centro de Controle de Zoonoses). Estava prenhe e optamos em esperar os filhotes nascerem para depois doá-los, assim como a mãe, que seria castrada antes da doação.

Batizamos esta gatinha de Lois. Lois deu à luz a seus 7 filhotes no dia 27/03/09.

Na última semana recebi na clínica uma cliente desesperada: ao chegar na sua casa de praia, se deparou com uma gata morta no quintal e seus 4 filhotes, de aproximadamente 13-15 dias chorando, morrendo de fome.

Esta cliente trouxe com ela esses 4 filhotes, que estavam muito sujos, fracos e com fome. Quatro "meninas". Uma tricolor, uma siamesa e duas branca e preta. Lindas, mas imundas!!!

Colocamos todas para um belo banho, apesar da pouca idade. Após o banho, um momento de ternura e simplicidade. Algo que nunca vi na espécie humana e que com frequência vejo acontecer com os animais, aconteceu.

Colocamos essas 4 meninas, de apenas 13-15 dias, junto com os outros bebes da Lois, que já tinham quase 1 mês. Eis que a Lois, num gesto grandioso, lambeu os 11 filhotes como se fossem todos dela e logo os colocou para mamar.

Este ser, que muitos tem a coragem de insultar com termos como irracional, interesseiro e traiçoeiro, adotou essas 4 gatinhas sem a menor preocupação ou preconceito.

Hoje, uma semana depois, é imensamente divertido assistir essas 11 "crianças" brincando, correndo, fazendo bagunça. E a Lois, numa beleza majestosa, observa seus filhos com a certeza de que sua missão está sendo cumprida.

Ainda temos muito o que aprender com os animais. Enquanto existir preconceiro, racismo, incompreensão e maldade, os irracionais seremos nós, seres humanos.

É bom demais passar o dia cercada de seres evoluídos: os animais!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Parabéns, Pituca!!!

Pituca2

Há exatamente 1 ano, o sentimento era outro. Um misto de medo com angústia. Um momento que deveria ser apenas de alegria, veio com muita preocupação. Mas no fundo, a certeza de que tudo terminaria bem estava lá. Sempre esteve.

Essa baixinha já chegou mostrando que “não tá aqui a passeio”. Mostrando que existem muitas coisas que só o coração consegue explicar e superar. Uma guerreira, que já nasceu vitoriosa!

Hoje, o sentimento é uma alegria inexplicável e indescritível!

Parabéns a mamãe Samantha e ao papai Tuca. Vocês são tão vitoriosos quanto essa mocinha. A força e determinação de vocês me deixa cheia de orgulho. Um exemplo pra mim.

Só quero agradecer a Deus por tudo ter caminhado da melhor forma possível e por podermos comemorar este dia tão especial!

Um ano, um ciclo.

Feliz aniversário, Ana Luiza!!! Você é muito amada, muito querida!

Esta “tia” te ama demais!!!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pare de reclamar!!!

abre_pobreza

Atendendo a pedidos, vou tentar atualizar o blog com maior frequencia, na medida do possível. Tempo e criatividade são coisas escassas nos últimos dias, mas... vamos lá.

Hoje quero falar sobre algo que me aconteceu ontem.

Após um farto almoço no restaurante da esquina, em companhia do meu pai, recebo na clínica um garoto com ar de desespero, implorando por trabalho. Por TRABALHO. Em momento algum esse garoto me pediu dinheiro ou comida… Ele só queria trabalhar.

Com o coração esmigalhado, resolvi arrumar algo para ele fazer e daria uma gorjeta. Coloquei o menino pra dentro e comecei a conversar com ele. Perguntei seu nome, onde morava. Quando, de repente, ele se põe a chorar de tal forma que até o ser mais frio e insensível do planeta iria se comover. Pergunto o porquê do choro e ele me diz, com vergonha, que se não levar dinheiro para casa até o final do dia, ele, a mãe e o irmãozinho de 3 meses seriam despejados. Que ele não conseguiria pois ninguém o deixa trabalhar… O pai faleceu e a mãe não consegue trabalhar pois seu irmãozinho de 3 meses faz hemodiálise todos os dias na Santa Casa desde que nasceu, e ela precisa ficar com ele no hospital.

Quando perguntei se ele já havia almoçado, ele respondeu que não estava com fome. Perguntei quando ele havia comido pela última vez e ele me respondeu que havia sido há mais de 24 horas.

Esse garoto, de 15 anos, é o “homem da casa”, a única fonte de renda dessa família que mal tem o que comer e onde morar. Uma responsabilidade que não cabe à um menino dessa idade.

Compramos dois marmitex para ele e conseguimos o valor que faltava para pagar o aluguel e evitar que eles fossem despejados.

Conhecia esse garoto há menos de 2 horas. Não tenho como afirmar que tudo que ele me disse era verdade, mas senti sinceridade no seu olhar, no seu choro. Posso ter me enganado, ter me passado por otária, não sei… Mas segui meu coração. Fiz o que minha consciência mandou.

Apesar de me decepcionar diariamente com o ser humano, acredito que ainda existem pessoas boas, sinceras e que não querem tirar proveito da bondade e ingenuidade alheia.

Isso tudo foi um “tapa na cara” pra mim, que muitas vezes me pego reclamando dos meu problemas, das dificuldades da minha vida. Diante desse menino, percebi que o que eu chamo de problema na verdade é um pequeno obstáculo a ser ultrapassado. O que eu chamo de dificuldade talvez seja até uma comodidade que eu espero para minha vida.

Acho que nada acontece por acaso na vida de cada um e essa lição que chegou até mim ontem e que eu tinha que aprender (ou quem sabe apenas relembrar) foi super válida.

Está na hora de olharmos o que temos ao redor e agradecer ao invés de sempre pedir mais. E se cada um fizer um pouquinho pelo próximo, juntos faremos um montão!