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quinta-feira, 22 de março de 2012

Castração: Mitos e Verdades

toakinatrilha.blogspot.com

“Coitadinho… pra quê castrar?!”, “Ela não sai de casa. Não precisa castrar.” ou “Castrar é uma mutilação!”.

Ouço frases como essas diariamente. Os mitos em torno da esterilização de animais ainda são enormes, mesmo nos dias de hoje. Percebo que o preconceito ainda existe devido à falta de informação sobre o assunto.

A castração ou esterilização é um procedimento cirúrgico, que deve ser realizado apenas por médicos veterinários capacitados, mediante à anestesia geral. Como qualquer procedimento anestésico ou cirúrgico, envolve alguns riscos, que podem ser minimizados e evitados com a realização de alguns cuidados e exames pré-operatórios. Nos machos, a castração é realizada através da excisão (retirada) dos testículos. Nas fêmeas são retirados os dois ovários e o útero. Existem diversas técnicas cirúrgicas tanto para cães e cadelas, como para gatos e gatas, porém, vou abordar apenas os mitos e preconceitos relacionados à castração.

Meu animal irá engordar após a castração? Talvez. O aumento de peso é comumente encontrado em animais castrados. Esse excesso de peso pode ser evitado e controlado através da alimentação e a pratica de exercícios e caminhadas diárias.

Meu animal precisa acasalar pelo menos uma vez antes da castração? Não. Castrando cadelas e gatas antes do primeiro cio praticamente eliminamos as chances desses animais desenvolverem tumores de mamas, doença muito freqüente nessas espécies. Também podemos prevenir com a castração problemas uterinos e ovarianos.

Acasalar as fêmeas evita tumores de mama? Não. A única forma de evitar tumores de mama com eficácia é através da castração.

Com qual idade meu animal já pode ser castrado? Após os dois meses de idade os animais já podem ser castrados. Alguns veterinários preferem aguardar o término da vacinação, que geralmente ocorre por volta dos quatro meses de idade.

Até qual idade meu animal pode ser castrado? Não existe uma idade limite, mas quanto mais jovem o animal for, menores são os riscos do procedimento.

O comportamento do meu animal mudará após a castração? Talvez, porém essa mudança é sempre benéfica. Percebemos que alguns animais de temperamento agressivo ou dominante, geralmente se tornam mais dóceis e acessíveis após a castração.

As fêmeas continuam tendo cios ou sangramentos após a castração? Não. São retirados os dois ovários e o útero. Por esse motivo, gatas e cadelas não apresentam mais sangramentos ou sintomas de cio após a castração. Caso isso continue ocorrendo, é possível que tenha restado algum resquício ovariano.

Os machos precisam ser castrados também? Sim. Além do controle populacional, melhora no comportamento e diminuição de demarcações territoriais, a castração previne também problemas testiculares e prostáticos, muito comuns em machos após cinco anos de idade.

A castração não é uma mutilação. Não deve ser encarada dessa forma, já que os benefícios são infinitamente maiores do que as conseqüências e é um procedimento que visa melhorar o bem estar dos animais e o convívio dos mesmos com as pessoas e com outros animais.

terça-feira, 13 de março de 2012

Encontrei um animal na rua. E agora? O que fazer?

Fonte Imagem: http://www.blogdailha.org
Pessoas me procuram diariamente com essa dúvida. Se você viu um animal na rua, perdido ou abandonado, e pretende ajudar de alguma forma, entenda que, a partir do momento que você resgatá-lo ele passa a ser responsabilidade sua. É de extrema importância que você tenha consciência disso e não queira jogar a responsabilidade para outras pessoas com frases do tipo: “fiz minha parte tirando o animal da rua” ou “se ninguém quiser ficar com ele, terei que abandoná-lo novamente”. Estamos combinados? Então vamos lá. Estas são algumas recomendações que podem ajudar bastante caso você resgate um animal da rua.
Leve o animal imediatamente à uma clínica veterinária. Ele precisa ser examinado e, se necessário for, fazer algum exame ou tratamento. Muitas vezes, durante a consulta, o médico veterinário pode informar se o animal já é castrado ou não e tentar identificar sua idade aproximada. O médico veterinário também poderá indicar qual alimento é o mais adequado para esse animal.
Já que o animal não tem histórico nenhum (e infelizmente não fala), acho sempre válido um banho, tosa (se necessário), controle de ectoparasitas (pulgas, carrapatos, sarna) e vermifugação.
Com relação à vacinação, geralmente recomendo que aguarde uma semana, para observação de possíveis doenças que ainda não foram manifestadas e que podem estar incubadas. Se você já tem outros animais em casa, converse com o médico veterinário sobre a necessidade de isolamento deste novo animal. Isso é importante para poupar a saúde de seus animais. Se o animal não for castrado, esta é uma etapa importante após a vacinação. Nunca doe um animal sem que ele esteja castrado.
Agora vem a parte mais complicada e polêmica: pra onde ele irá? As ONGs e abrigos estão lotados. Protetores fazem o possível e o impossível com o que conseguem de doações. Passar a responsabilidade para outra pessoa sem arcar com os custos desse animal é absurdamente injusto. Se você não pode ou não pretende adotar esse animal, ele precisará de um lar temporário até que sua adoção seja concretizada. Caso você mesmo não possa oferecer o lar temporário, e nem encontre alguém disposto a fazê-lo, uma alternativa é manter esse animal em algum hotelzinho ou abrigo e realizar o pagamento da hospedagem enquanto aguarda adoção. Muitos hotéis oferecem um valor diferenciado para animais resgatados.
Se você optar em adotar esse animal, lembre-se que ele provavelmente já sofreu algum tipo de crueldade ou abandono e que traumas provavelmente estarão presentes. Esses animais geralmente necessitam de um tempo maior de adaptação ao novo lar, novo tutor e novos animais. Tenha paciência. Não desista logo no primeiro dia.
Coloque-se no lugar dele: passou fome, passou frio, sofreu violência e abandono. Já pensou em qual referência ele possui do ser humano? Ele precisa confiar em você e, assim como uma pessoa, isso pode levar algum tempo.
Estes são alguns passos para um “resgate bem sucedido”. Claro que muitas outras situações podem surgir, mas o mais importante é ter consciência que qualquer resgate é um ato de gratidão e deve ser realizado com responsabilidade. Não quero desencorajar ninguém, apenas mostrar o cenário real.
Cada um faz um pouco. Todos juntos somos fortes.